Escrever sobre a homossexualidade é uma tarefa complicada. Qualquer afirmação, ou negação, mal entendida e ... desaba uma série de impropérios dentre os quais, os tão em voga, "homofóbico" ou "gayfilico". Nesta área tudo parece conspirar para uma visão dualistica: o sim e o não ; o claro e o escuro; o dia e a noite. Sabemos, contudo, que não é assim. Sabemos que esta forma de encarar os fenômenos humanos, entre eles a sexualidade, bem pode ser uma "estratégia" para evitar-se maiores aprofundamentos.
Vale a pena lembrar que a American Psychological Association (APA), a mesma que pressionou a OMS para a retirada da homossexualidade do rol das doenças classificadas, em 1998 acatava a determinação genética, contudo, a partir de 2008, em uma espécie de "atualização", passou a reconhecer que não se pode explicar ou compreender a homossexualidade como resultante de um determinado fator preponderante. Ademais, Freud, em "Três ensaios sobre a sexualidade" já afirmara que a sexualidade é construída sobre uma base orgânica e para tal construção concorrem múltiplos fatores. Recentes pesquisas com gêmeos univitelinos, por seu lado, reforçam a compreensão de que não se pode falar, sem mais, em uma "homossexualidade genética".
A homossexualidade, como é sabido, é uma realidade humana e pouquíssimas são as civilizações que não a conheceram. Não se trata, portanto, de algo novo, próprio do nosso tempo. O que é novo, isto sim, é a formas de lidar e conviver com ela, ou na terminologia da Psicologia Social: suas representações. Hoje, fico com uma pesquisa divulgada pela Gazeta do Povo (Curitiba) no último domingo (8/11/2009).
O título da matéria é: "O maior preconceito está dentro de casa". Pois bem, os gráficos apresentados mostram que 57% da população investigada "é contrária ao casamento entre iguais sexos e, curiosamente, há um empate quando o tema é adoção de crianças por casais gays (45%/47%). Quando, porém, a pergunta recai sobre algo mais corriqueiro, como por exemplo, o beijo entre casal homossexual, obteve-se que 63% consideram uma atitude repugnante.
Um outro achado da pesquisa, do qual retirei o título para esta postagem, refere-se ao tipo de reação dos entrevistados diante da descoberta da homossexualidade de outrem. Contratariam um homossexual 68%; não contrataria, 25%. O que faria se descobrisse a homossexualidade de seu amigo: 26% apoiaria, 53% ficaria indiferente e 13% tentaria muda-lo. O panorama muda se em lugar de um amigo for um familiar: 33% responderam que tentaria muda-lo.
A pesquisa também mostrou que 81% das pessoas acreditam que os pais são os últimos a saber e os três principais motivos que levam os filhos a não revelarem a sua homossexualidade aos pais são a vergonha (43%), o medo (36%) e o receio de decepcionar (33%). Motivos que merecem estudos e comentários a parte, posto que são percebidos como expressões de um só e principal motivo: "homofobia internalizada". Será?
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