Santa Teresa de Jesus



Ó miséria humana! Quando, filhos, imitaremos em alguma coisa este grande Deus? E não imaginemos já fazer algo quando suportamos injúrias! Passemos por tudo de muito boa vontade e amemos quem nos ofende, pois o grande Deus não deixou de nos amar, ainda que O tenhamos ofendido muito. Desse modo, Ele tem razões de sobra para querer que todos perdoem, por mais injúrias que lhes façam."
(6 Castelo Interior 10, 4)

Mortificação



"A nossa mortificação necessita igualmente de ser ser acompanhada de prudência, a fim de que o zelo excessivo quando levado demasiado longe não nos arruine a saúde, e não nos leve a imolar um amigo, por assim dizer, na ânsia de vencer um inimigo. Considerai quanto pode suportar o vosso corpo, atendei à vossa constituição física e usai de severidade na devida proporção. É nosso dever preservarmos o corpo para servir o Criador". (Bernardo de Claraval - Séc. XII)

Os Doutores da Igreja - Testemunhos da Fé II

  • 8. JOÃO CRISÓSTOMO (345-407)
    "Nada impede uma mulher que fia na sua roca ou que tece o seu pano de elevar o seu pensamento para o céu e invocar Deus com fervor. Nada impede alguém que passa no fórum ou um viajante solitário, de orar com muita atenção. Outro, sentado na sua loja, a coser as suas peles, continua livre para oferecer a sua alma ao Senhor. O escravo, no mercado, nas suas idas e vindas, na cozinha, se entretanto não pode ir à igreja, está livre para fazer uma oração atenta e ardente. Deus não se envergonha do lugar". (Sobre Ana, a profetisa, em 387)

  • 9. JERÔNIMO (349-420)
"A nossa casa, quanto aos seus recursos materiais, foi completamente arruinada pelas perseguições dos hereges. Contudo, Cristo estava conosco. Por isso, a nossa residência continua cheia de riquezas espirituais. Vale mais mendigar o pão do que perder a fé". (Conclusão da carta 134)
  • 10. AGOSTINHO (354-430)
"No entanto, Senhor, este homem, pequena parte da tua criação, é a Ti que ele quer louvar. És Tu que convidas a procurar a sua alegria no teu louvor. Com efeito, tu criaste-nos para Ti e o nosso coração permanece inquieto, enquanto não descança em Ti". (Confissões 1, 1)
  • 11.CILILO DE ALEXANDRIA (380-444)
"Estou espantado de que existão cristãos que se interroguem: A Santa Virgem deve ser chamada Mãe de Deus? Com efeito, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, como é que a Virgem que O trouxe e deu à luz não seria Mãe de Deus? Foi precisamente essa fé que os Santos Apóstolos nos transmitiram, mesmo que não usassem este nome."(Carta aos monges egípcios, em 429).
  • 12. LEÃO MAGNO (+ 461)
"Não participam de maneira nenhuma na regeneração de Cristo aqueles que negam o seu nascimento corporal da Virgem Maria. Deste modo, negadores da verdade da Natividade, não aceitam de modo nenhum a verdade da sua Paixão. E negam que aquele que eles não reconhecem tenha sido sepultado, tenha verdadeiramente ressuscitado." (Quarto sermão para o Natal, 4)
  • 13. PEDRO CRISÓLOGO (400-450)
"Acima de tudo, venerável irmão no episcopado, exortamo-vos a assinar o que o papa de Roma escreveu (exposição doutrinal clara sobre a unicidade da pesssoa de Cristo, em duas naturezas distintas). E persuadi-vos de que Pedro fala por Leão. Por minha parte, ligado como estou à paz e estando preocupado com a fé, eu não posso tratar dos assuntos de fé sem a aprovação do bispo de Roma". (Los Sermones)
  • 14. GREGÓRIO MAGNO (537-604)
"A incredulidade de Tomé foi mais vantajosa para nossa fé do que para a fé dos discípulos. De fato, reconduzido à fé pelo contato material que afasta toda a incerteza, a nossa inteligência encontra-se consolidada na fé. Também o Senhor permitiu a um discípulo que duvidasse, depois da sua Ressurreição, sem contudo, abandoná-lo ao seu cepticismo...Foi ao ver que Tomé acreditou...enquanto os seus olhos se dirigem para um homem verdadeiro, a a sua exclamação (jo 20, 28) proclama Deus que ele não pode ver..." (Homilia 26,7 e 8)


Fogo de Pentecostes


Quem és tu, luz que me enches
e que iluminas
as trevas do meu coração?
Tu me guias
como a mão de uma mãe,
e se tu me largas,
não poderei mais dar um só passo.
Tu é o espaço
que envolve meu ser
e o abriga em seu seio.
Abandonado por ti
ele desapareceria
nos abismos do nada,
de onde Tu o tiraste para
elevá-lo ao ser.
Tu, mais próximo de mim
do que eu de mim mesmo
e mais íntimo
que o âmago de minha alma,
e, entretanto, inatingível e inefável,
fazendo brilhar todos os nomes:
Espírito Santo - Amor eterno...

És tu
o canto do amor
e do santo respeito
que ressoa eternamente
em redor do trono de Deus,
que nele une
o canto puro dos seres?

A harmonia
que une os membros à cabeça,
é nela que cada um descobre com êxtase
o sentido íntimo do seu ser
e cheio de alegria derrama-se
nas tuas ondas,
Espirito Santo - Eterna alegria...

(Edith Stein - Pentecostes, 1942)

Meditando com São Bernardo de Claraval


Nós somos carnais, nascidos da concupiscência da carne; donde se segue necessariamente que nosso amor, bem como nossa cupidez, começa pela carne. Porém, se este amor é bem dirigido, desenvolvendo-se progressivamente segundo seus graus, sob a ação da graça, ele atingirá sua perfeição no espírito, "pois não é o espíritual que precede, mas o que é animal: o espiritual vem em seguida" (cf. 1Cor 15,40).
Portanto, o homem começa amando a si mesmo por si mesmo; pois, sendo ele carne, está fora de condição de degustar o que quer que seja fora de si mesmo. Refletindo, em seguida, que não pode subsistir por si só, ele começa a procurar a Deus na fé e a amá-lo. É o segundo grau: ama-se a Deus não por Ele mesmo, mas por causa de si.
À medida que a própria necessidade leva a conviver com Deus, a familiarizar-se com ele, pensando nele, lendo e pedindo-lhe e servindo-o, aos poucos a gente o descobre nessa familiaridade e começa-se a apreciá-lo. Quando se aprendeu, assim, a degustar como o Senhor é doce, passa-se ao terceiro grau, que consiste em amar a Deus por ele mesmo, não mais por causa de si.
E neste grau, permanece-se muito tempo; não sei se, nesta vida, alguém pode alcançar a perfeição do quarto grau, de modo que não se ama mais de forma alguma, senão em Deus. Que o afirmem os que o experimentaram; quanto a mim, confesso que acredito ser impossível. Sem dúvida alguma, isto se verificará quando o servo bom e fiel for introduzido na alegria do seu Mestre, inebriado com a plenitude da Casa de Deus. Então, esquecendo-se, ele próprio, de uma maneira admirável, voltar-se-á todo inteiro para Deus e, aderindo a ele para o futuro, não formará senão um só espírito com Ele. (De diligendo Deo, XV)

Le Symbole des Apôtres


"Je crois en Dieu, le Père tout-puissant, créateur du ciel et de la terre"
"Creio em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra"
Trois affirmations sur Dieu:
Il est Père,
Tout-puissant,
Créateur.

Os Doutores da Igreja - Testemunhos da Fé I

1. ATANÁSIO DE ALEXANDRIA (295-375)

E vós, irmãos monges, vigiai e não permitais que perigue a vossa longa ascese. Esforçai-vos por conservar o vosso entusiasmo, como se estivésseis agora a começar... Cristo seja a vossa respiração e acreditai nEle. Vivei cada dia como se fosse o último antes da morte. Primeiro uni-vos ao Senhor e depois aos santos. (Patrologia Grega, t. 26, col.969 b)

2. EFRÉM, O SÍRIO (306-373)

Só Tu, Jesus e tua Mãe.
sois totalmente puros em todos os apectos.
Em Ti, Cristo-Salvador, nenhum defeito;
Na tua Mãe, mancha alguma.
(Poemas de Nísibe, 27, 8)

3. HILÁRIO DE POITIERS (315-367)

Tenho plena consciencia de que a tarefa principal da minha existência és Tu, meu Deus, a quem ela deve ser consagrada, bem como toda as minhas palavras e todos os meus pensamentos... Torna-me capaz de formular aquilo em que creio, isto é, que eu seja capaz de Te celebrar. (De Trinitate, 1,37)

4. CIRILO DE JERUSALÉM (315-386)

Não nos envergonhemos da cruz. Mesmo que alguém a esconda, tu, meu irmão, traça a cruz na tua fronte a fim de que os demônios, ao verem este sinal, fujam para longe, aterrados. Faz este sinal quando comeres e beberes, quando te sentares e te levantares, quando falares e caminhares; em suma, em todos os teus atos. (Quarta catequese batismal, 472 B 7)

5. BASÍLIO MAGNO (329-379)

É Nosso Senhor, o Sol da Justiça que, com os seus raios, ilumina os mandamentos. A lei do Senhor é uma luz que abre os olhos. (Regra Breve, cap. 1)

6. GREGÓRIO DE NAZIANZO (329-390)

Ó meu Cristo, Verbo de Deus,
concede às minhas pálpebras um sono leve,
para que a minha voz não fique muito tempo muda.
A tua criação velará, para salmodiar com os anjos.
Que o meu sono seja sempre habitado pela tua presença!
(Poemas dogmáticos, 1,32)

7. AMBRÓSIO (339-397)

Antes da benção pelas palavras santas, é pão. Depois da consagração é o corpo e o sangue de Cristo. É o próprio Cristo que fala do seu sangue. E tu dizes: AMEN, é isso mesmo! Portanto, que todo o teu ser esteja de acordo com a palavra que pronunciais.
(Sobre os mistérios, 4,19)

A mais antiga oração Mariana - Século III



Em 1917 a Biblioteca John Ryland, de Manchester (Inglaterra) , adquiriu no Egito um pequeno papiro de 18 x 9,4 cm,que foi catalogado como Ryl.III,470, cujo conteúdo foi identificado em 1939;é o texto de uma oração dirigida a Maria Santíssima invocada como Theotókos (Mãe de Deus) no século III.
Quando em 431 o Concílio de Éfeso proclamou Maria Theotókos, fez eco a uma tradição cujo primeiro termo conhecido remonta a Orígenes (243).O texto do fragmento papiráceo foi editado em 1938 ,sem que se tivessem até então identificado os dizeres. Isto só foi feito no ano seguinte por F. Mercenier: este pesquisador verificou que se tratava da oração mariana conhecida e recitada ainda hoje com as palavras iniciais "Sob a vossa proteção".

Embora o texto não esteja completo, mas deteriorado pelas intempéries dos séculos ( coisa normal entre os papiros), o sentido das palavras pode ser depreendido com clareza e segurança.
Sob a tua misericórdia nos refugiamos
Mãe de Deus!
Não deixes de considerar as nossas súplicas
em nossas dificuldades,
Mas livra-nos do perigo,
Única casta e bendita.



EISPAA
KA. AYE
TEOTOKETA
IKESIASMHPA )
EIDHSEMPEPIETASEI
ALLEKKINDYNOY
PYSAIHMAS
MONHA
HEYLOG